Missão
Qual o sentido de Sion?
Extraído do livro “Religiosos de Nossa Senhora de Sion”, de autoria do Pe. Vicente Pinto Ribeiro, nds, págs 15s.
A Congregação de Sion nasceu com a finalidade de converter os judeus, esta era a preocupação dos fundadores e todos os seus esforços; durante muitos anos foram dirigidos para esta finalidade. Durante muitos anos todos os Religiosos e Religiosas consagraram suas vidas, suas orações e todos os seus trabalhos para este fim. Mas na Igreja há uma evolução e também uma leitura dos “Sinais dos Tempos”. Com o alvorecer do Concílio Vaticano II, novas reflexões foram feitas e se estabeleceu falar, não mais em conversão e sim em diálogo inter-religioso. Todas as Congregações têm sua finalidade, que nós chamamos de “Carisma”. Cada Congregação apareceu na Igreja para responder às necessidades de uma época. Muitas até desapareceram, quando não se notou mais que elas eram realmente necessárias.
A Igreja deve permanecer sempre, as Congregações, no entanto, podem desaparecer, podem se unir umas às outras para melhor servir à Igreja. Os Religiosos de Sion, mergulhados em um mundo em mudanças, de grandes apelos e múltiplas necessidades, querem manifestar o amor de Deus na Igreja e no mundo pelo Povo de Israel, através de uma consagração religiosa específica; querem mostrar ao mundo, sobretudo aos cristãos a importância do Povo de Israel no plano de Deus para a salvação de todos os homens; estudam e aprofundam seus conhecimentos bíblicos, lutando para que os homens vejam que esse Povo é amado por Deus, por causa da Aliança, por causa dos Patriarcas; fazem com que o Povo de Israel seja visto como um Povo orientado para Deus, como testemunha e colaborador no plano salvífico do Pai; trabalham para criar, na sociedade, uma verdadeira imagem da realidade do povo judeu, para que ele seja encarado e tratado como irmão; são missionários da Bíblia e tradição judaica; estão em algumas partes do mundo estudando e dando cursos sobre esses assuntos; lecionam em faculdades, sempre voltados aos temas bíblicos e ligados à tradição judaica; desenvolvem um trabalho educacional a nível de Io grau, lendo em mente a educação cristã e a criação de uma mentalidade fraterna em relação aos filhos de Israel; prestam serviço pastoral em paróquias, como Párocos, Vigários; trabalham junto aos movimentos da Igreja, como Cursilhos, encontros de casais, Movimento Familiar Cristão, Grupos de Jovens, Pastoral Vocacional, equipes de Nossa Senhora; promovem os pobres com formação profissional, humana e cristã; procuram conscientizar as camadas menos favorecidas, quanto à necessidade de se organizarem em vista de sua integral libertação.
A Igreja deve permanecer sempre, as Congregações, no entanto, podem desaparecer, podem se unir umas às outras para melhor servir à Igreja. Os Religiosos de Sion, mergulhados em um mundo em mudanças, de grandes apelos e múltiplas necessidades, querem manifestar o amor de Deus na Igreja e no mundo pelo Povo de Israel, através de uma consagração religiosa específica; querem mostrar ao mundo, sobretudo aos cristãos a importância do Povo de Israel no plano de Deus para a salvação de todos os homens; estudam e aprofundam seus conhecimentos bíblicos, lutando para que os homens vejam que esse Povo é amado por Deus, por causa da Aliança, por causa dos Patriarcas; fazem com que o Povo de Israel seja visto como um Povo orientado para Deus, como testemunha e colaborador no plano salvífico do Pai; trabalham para criar, na sociedade, uma verdadeira imagem da realidade do povo judeu, para que ele seja encarado e tratado como irmão; são missionários da Bíblia e tradição judaica; estão em algumas partes do mundo estudando e dando cursos sobre esses assuntos; lecionam em faculdades, sempre voltados aos temas bíblicos e ligados à tradição judaica; desenvolvem um trabalho educacional a nível de Io grau, lendo em mente a educação cristã e a criação de uma mentalidade fraterna em relação aos filhos de Israel; prestam serviço pastoral em paróquias, como Párocos, Vigários; trabalham junto aos movimentos da Igreja, como Cursilhos, encontros de casais, Movimento Familiar Cristão, Grupos de Jovens, Pastoral Vocacional, equipes de Nossa Senhora; promovem os pobres com formação profissional, humana e cristã; procuram conscientizar as camadas menos favorecidas, quanto à necessidade de se organizarem em vista de sua integral libertação.
Vale a pena ser Religioso de Sion, para se envolver com o Reino de Deus em sua amplitude, não só no âmbito interno da Igreja, mas em todas as suas dimensões, nas suas origens judaicas e em todas as suas manifestações. Mas é o Espírito Santo que vai fecundar todas as iniciativas e esforços de cada um.
Por que uma Congregação voltada ao diálogo cristão-judaico?
Certos questionamentos merecem uma reflexão mais aprofundada e uma análise mais criteriosa. Pensar, refletir, buscar luzes são ações que dão trabalho, exigem pesquisas e esforços que nem sempre queremos fazer.
Perguntei certa vez a um rabino: porque existe o anti-semitismo no mundo? Ele me respondeu que tal pergunta mereceria uma resposta mais aprofundada e amadurecida. É um fato que o povo judeu está presente no mundo. É também um fato inegável que já houve tentativas e algumas altamente estruturadas para destruir esse povo. Não podemos, como cristãos, ficar alheios a este fato notório. É um sinal que merece uma análise e uma intepretação positiva. Possivelmente o “desconforto” que o pensamento sobre Deus, as atitudes religiosas de uns provocam em outros que não se enquadram nos planos de Deus seja idêntico ao “desconforto” e à antipatia que o povo judeu provoca naqueles que estão demasiadamente distantes da Aliança. No meu modo de ver, seria esta a razão do anti-semitismo no mundo. É preciso revisar radicalmente as atitudes, os preconceitos, as falsas tradições que causaram no passado um anti-semitismo cristão e que influíram na gênese do anti-semitismo moderno. É necessário, no contato com o povo judeu, reencontrar as raízes judaicas da Igreja, toda a vida cristã em Jesus Cristo.
Muitas Igrejas iniciaram este trabalho de retificação. A Igreja católica, de modo especial, já antes do Concílio Vaticano II, mas em especial após o Concílio, empreendeu uma reformulação na liturgia, na catequese, em sua própria teologia no Contato com o povo judeu, que não mais pode ser chamado
“deicida”, nem “pérfido” mas “irmão”, nem considerado responsável pela morte de Jesus Cristo; não sendo, portanto, condenado a uma existência culpada e precária.
A Igreja Católica insistiu no estudo da tradição religiosa de Israel, convencida de que tal estudo pode contribuir para o aprofundamento e renovação da vida cristã. Temos de admitir que o judaísmo é a “arca do tesouro onde vamos sempre buscar elementos válidos para uma reflexão profunda.”
A Congregação de Nossa Senhora de Sion entrou num processo de evolução. A redescoberta das raízes judaicas da fé e da existência cristã em Jesus Cristo, a reavaliação do sentido positivo da presença de Israel no mundo, constituem a preocupação de todos os cristãos. Entretanto não é possível a todos indistintamente colocar um tal esforço concretamente no centro de sua vida, enquanto a fidelidade a Jesus Cristo é impulsionar cada um segundo a sua vocação a manifestar um ou outro aspecto da inesgotável riqueza do amor de Deus pelos homens. Como é normal na vida da Igreja, as funções são repartidas entre seus membros pelo Espírito Santo.
Para iluminar este aspecto, vamos tomar hoje o exemplo do automóvel. Um automóvel está rodando e manifestando um bom desempenho pelas estradas em diversas direções. Hoje não mais se fala em fábrica de automóveis e sim em montadoras. As motadoras reúnem as peças fabricadas em diversos lugares e montam o automóvel. Assim também é a Igreja, ela é uma montadora que reúne todas as iniciativas e atividades que o Espírito Santo inspira nos corações dos indivíduos e das comunidades. Finalmente nesta montadora, há um técnico de infinita competência que é o Espírito Santo. Ele nunca aparece visivelmente, pelo contrário, faz questão de ficar oculto para não confundir ninguém, mas está sempre pairando sobre as águas (Gr 1,2). A Congregação de Sion pode ser, no mundo, como uma pequena indústria “de fundo de quintal”, mas o seu produto é importante na montagem de uma nova visão do judaísmo para os cristãos e do cristianismo para os judeus. É preciso olhar a todos com os olhos de “Elohim”; pois ele viu que tudo era bom.
A excelência do judaísmo está, acima de tudo, na descoberta da realidade e concretude de “Um Deus” que “desce, vê o sofrimento e o clamor do povo e faz uma Aliança eterna”.
Um Deus que se apresenta como Pai, porque tem um Filho e esse Filho é Israel antes, e Jesus depois.
As Congregações das Religiosas e dos Religiosos de.Sion foram fundadas no século passado pelos irmãos Theodoro e Afonso Ratisbonne, para serem na Igreja um sinal expressivo do amor de Deus pelo povo de Israel. Evidentemente a visão teológica da época levava a concretizar este “carisma sioniense” num apelo para trabalhar pela conversão dos judeus. Psicologicamente há sempre um desequilíbrio entre o que se pensa e o que se fala. O que se pensa é grande demais, ao passo que o que se fala é sempre uma tentativa de busca das palavras, como sinais limitados do pensamento… A mente dos fundadores, seus esforços e os esforços das Congregações nascentes viam algo, possivelmente mais imediato em relação aos judeus, isto é, a conversão. Houve assim uma unilateralidade no sentido de movimentar os cristãos para a oração em favor dos judeus. Hoje a visão é muito mais ampla e bilateral para uma busca de encontros, para que os valores de ambas as partes sejam conhecidos e compartilhados para o enriquecimento de ambas.
A desumanidade do anti-semitismo, manifestada de maneira tão horripilante no holocausto, provocou o questionamento da proposta das duas congregações. Na luta comum ao lado dos judeus, contra os perseguidores, muitos foram os religiosos e religiosas que sentiram a necessidade de uma revisão radical da atitude da Igreja para com Israel. O esforço da reflexão crítica, empreendido por muitos, mas sobretudo em Paris de 1947 a 1955, pela equipe dos “Cahiers Sioniens”, provocou um amadurecimento em ambas as congregações e contribuiu direta e decisivamente para as colocações corajosas do Concílio Vaticano II. O concílio trabalhou para redescobrir o valor próprio das tradições religiosas além das cristãs, que marcaram o lugar especial da tradição religiosa judaica, na qual, por Jesus Cristo, tem raiz a fé cristã, as duas Congregações chegaram a redefinir sua maneira de testemunhar o amor de Deus pelo povo judeu.
Elas eliminaram de suas instituições toda e qualquer atividade, procura, e mesmo orações, orientadas para a conversão dos judeus. As duas Congregações interessaram-se por toda e qualquer proposta individual ou comunitária que visa combater o anti-semitismo, pelo aprofundamento das relações entre judeus e cristãos, pelo enriquecimento da fé e da vida cristã, no contato com o povo judeu, em Israel ou na diáspora. Os Religiosos de Sion não têm a pretensão de impor a sua ótica em nenhuma dessas propostas, nem exercer qualquer controle, nem reservar-se o monopólio. Seus desejo é de ver surgir tais propostas e contribuir, na medida em que sua contribuição for desejada e possível. O carisma de Sion não nasceu com os fundadores, como acontece em outras Congregações e Ordens religiosas, mas ele tem suas raízes muito mais remotas, ele está radicado em Abraão que viveu uma verdadeira experiência de fé no Deus da Aliança e tornou-se o “Pai dos crentes”. É preciso conhecer e explicitar cada vez mais nosso carisma, ele é muito rico e vasto.
Não é, entretanto, de execução imediata, para Deus não há imediatismo e nem descartável, tudo entra em verdadeiro plano divino. O Pe. Jean Beyer diz o seguinte: “É verdade, entretanto que muitos institutos ignoram o seu carisma; durante muito tempo eles não estudaram bastante seus antigos documentos, sua história e sua evolução”. Uma Congregação Religiosa é uma realidade na Igreja e no mundo. Ela se compõe de elementos humanos com suas características, suas mudanças e evoluções, mas o que constitui as pessoas em Congregação é sua consagração a Deus como sinal. O sinal é expresso na Igreja com marcas que apresentam um aspecto comum enquanto é igual a todos, mas cada congregação tem a sua singularidade que caracteriza e individualiza cada uma. Para um Religioso de Sion o que constitui sua marca específica, é um amor distinto para com o povo de Israel e para com tudo que se relaciona com este povo, isto é, identificar o aprofundamento da oração, da liturgia, da contemplação do mistério de Jesus Cristo na Unidade divina, tudo isto com um referencial ao povo judeu que se constitui nossa raízes e a beleza patrimonial.
É preciso que a Congregação queira, não simplesmente nos documentos, nas Assembleias Gerais, ou nos Capítulos Gerais Ordinários e Extraordinários, permanecer fiel à sua vocação e atitude religiosa. Um religioso de Sion não pode se sentir como um padre diocesano, voltado única e exclusivamente às obras, preocupações e atitudes diocesanas. Estas são eminentemente válidas para os diocesanos, mas um religioso de Sion tem marcas mais exigentes, em virtude mesmo do seu carisma. Ele deve ser e aparecer fecundo de uma riqueza que irá fecundar todo o seu apostolado, com algo que aquecerá sua postura na Igreja e no mundo. Um Religioso de Sion que se volta completamente aos trabalhos, sem um profundo referencial ativo e obediente ao carisma e à estrutura congrega-cional e comunitária, jamais poderá dizer que “é de Sion”.
A Congregação de Sion deve guardar seu valor particular na Igreja até que todo cristão descubra e se sinta ligado ao povo judeu por um laço positivo, vital, querido por Deus e definitivamente estalebecido por Jesus Cristo.
Não podemos ter a pretensão de sermos especialistas em judaísmo, mas o carisma de Sion não pode ser um verniz passado por cima de cada um, e sim um calor que penetre nas entranhas de cada membro da congregação e o leve a dar verdadeira e efetiva importância às Escrituras e seus comentários tradicionais, descobrindo também novas luzes no mundo judaico e cristão, na oração e liturgia judaicas e da Igreja, nos estudos talmúdicos, na história antiga e recente de Israel.
Tudo isto servirá de esclarecimento para que a Igreja brilhe mais aos olhos dos próprios cristãos, tome conhecimento de suas mais remotas raízes e Deus seja cada vez mais glorificado.
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